GRATIDÃO: aprender a olhar para o que já temos
Vivemos muitas vezes com os olhos postos no que ainda nos falta. Pensamos no próximo objetivo, naquilo que queremos conquistar, na mudança que queremos fazer ou naquele momento em que, finalmente, vamos ter tempo para parar. E, no meio desta correria, podemos esquecer-nos de olhar para aquilo que já faz parte da nossa vida.
A gratidão convida-nos precisamente a fazer essa pausa. A olhar com mais atenção para as pessoas, os momentos e as pequenas coisas que tantas vezes damos como garantidas.
Não porque a nossa vida seja perfeita, mas porque, mesmo nos dias mais difíceis, existem coisas que merecem ser reconhecidas e valorizadas. 🌿

O que significa realmente sentir gratidão?
Muitas vezes associamos a gratidão à palavra “obrigado”. Aprendemos desde cedo a agradecer quando alguém nos oferece alguma coisa, nos ajuda ou faz um gesto por nós. Mas sentir gratidão vai muito além de uma palavra que aprendemos a dizer.
A gratidão é a capacidade de reconhecer o valor de algo que temos, vivemos ou recebemos. Pode ser uma pessoa que está ao nosso lado, uma amizade, uma oportunidade, uma experiência que nos ensinou alguma coisa ou simplesmente um momento que nos fez bem.
Pode ser aquele café tranquilo antes de começar o dia, uma conversa que chegou no momento certo, uma gargalhada inesperada, um abraço apertado ou a sensação de chegar a casa depois de um dia cansativo.
São momentos aparentemente simples, mas que fazem parte da nossa história.
E talvez seja precisamente por serem tão presentes que deixamos de reparar neles.
Quando aquilo que temos passa a parecer garantido
Existe algo curioso na forma como nos relacionamos com aquilo que temos. Muitas vezes, aquilo que um dia desejámos passa, com o tempo, a fazer parte da nossa normalidade.
A casa que tanto queríamos. O trabalho pelo qual lutámos. A pessoa que esteve connosco durante tantos anos. Os amigos que podemos contactar quando precisamos. A possibilidade de acordar e começar mais um dia.
Continuamos a ter tudo isso, mas deixamos de olhar para essas coisas com a mesma atenção.
É natural. Faz parte de nós habituarmo-nos ao que é familiar. O problema surge quando estamos tão focados no que falta que deixamos de reconhecer o que já existe.
Praticar gratidão pode ser uma forma simples de contrariar esse automatismo. Não precisamos de mudar a nossa vida. Precisamos, muitas vezes, apenas de mudar a forma como olhamos para ela.
Gratidão não significa que está tudo bem
É importante lembrar que ser grata não significa estar feliz o tempo todo.
Há dias difíceis. Há perdas, desilusões, preocupações, cansaço e momentos em que simplesmente não temos vontade de procurar o lado positivo das coisas. E não precisamos de o fazer.
A gratidão não deve servir para esconder aquilo que sentimos.
Podemos estar tristes e sentir gratidão. Podemos estar cansadas e agradecer a presença de alguém. Podemos estar a atravessar uma fase complicada e, ainda assim, reconhecer um pequeno momento de tranquilidade.
Sentir gratidão não apaga as emoções difíceis. Permite-nos apenas reconhecer que elas não são tudo o que existe dentro de nós.
Talvez seja esta uma das partes mais importantes da gratidão: dar espaço ao que dói sem deixar de reparar no que nos faz bem.
A beleza das pequenas coisas
Quando pensamos em gratidão, é fácil lembrarmo-nos dos grandes acontecimentos: uma conquista, uma viagem, uma boa notícia, um momento especial.
Mas a gratidão pode estar escondida em coisas muito mais pequenas.
Está naquela mensagem que recebemos quando precisávamos de alguém. Na música que ouvimos no caminho para casa. Num jantar partilhado sem pressa. Numa tarde de sol. Numa conversa que nos fez rir. Na possibilidade de descansar. Num abraço que demorou mais alguns segundos.
São momentos que provavelmente não vamos guardar numa fotografia nem publicar nas redes sociais.
Mas são também estes momentos que dão significado aos nossos dias.
Quando começamos a prestar atenção, percebemos que a vida é feita de muitos pequenos instantes que merecem ser vividos com mais presença.
E se também aprendêssemos a agradecer por nós?
Existe ainda uma dimensão da gratidão de que pouco falamos: a gratidão por nós próprias.
Estamos habituadas a reconhecer quem nos ajuda, quem nos apoia e quem está presente. Mas nem sempre paramos para olhar para o nosso próprio caminho e reconhecer tudo aquilo que fomos capazes de ultrapassar.
🩷 Quantas vezes continuaste, mesmo quando te apetecia desistir?
🩷 Quantas vezes tiveste de começar de novo?
🩷 Quantas decisões difíceis tomaste sem saber exatamente onde te iam levar?
🩷 Quantas vezes foste forte sem que ninguém percebesse o esforço que isso exigiu?
Talvez também mereças agradecer a ti própria.
Não por seres perfeita. Não por fazeres tudo bem. Mas por continuares a aprender, a crescer e a tentar.
Às vezes, cuidar de nós começa precisamente quando deixamos de olhar apenas para aquilo que ainda precisamos de melhorar e começamos também a reconhecer aquilo que já conseguimos.
A gratidão como forma de autoconhecimento
Parar para pensar naquilo pelo qual somos gratas pode ensinar-nos muito sobre nós.
As respostas revelam o que valorizamos, as pessoas que ocupam um lugar importante na nossa vida, os momentos que queremos guardar e aquilo que nos traz verdadeira sensação de bem-estar.
Quando perguntamos “pelo que sou grata?”, estamos também, de certa forma, a perguntar “o que é importante para mim?”.
E talvez por isso a gratidão possa ser uma porta para o autoconhecimento.
Quanto mais atenção damos ao nosso mundo interior, mais começamos a perceber aquilo que sentimos, aquilo de que precisamos e aquilo que queremos levar connosco.
Como podemos começar?
Não é preciso criar uma rotina complicada. Podemos começar com um pequeno momento no final do dia e perguntar-nos simplesmente: “O que aconteceu hoje que merece a minha gratidão?”
Pode ser uma coisa grande ou uma coisa tão simples que, à partida, nem pensaríamos nela.
Se quiseres, podes escrever a resposta num caderno. Uma frase é suficiente. Com o passar dos dias, vais perceber que estás a criar uma pequena coleção de momentos que talvez, de outra forma, tivessem desaparecido no meio da rotina.
Também podes experimentar dizer a alguém aquilo que muitas vezes pensamos, mas raramente verbalizamos: “Obrigada por estares na minha vida.” “Obrigada por me ouvires.” “Obrigada por acreditares em mim.”
Porque a gratidão também ganha outra força quando é partilhada.
Na Amor com Letras acredito…
Acredito que vivemos demasiado depressa e que, muitas vezes, estamos tão concentradas naquilo que vem a seguir que nos esquecemos de estar verdadeiramente presentes no momento que estamos a viver.
Acredito que a gratidão não nos pede para termos uma vida perfeita. Pede-nos apenas para reconhecermos aquilo que, no meio de tudo o que somos e vivemos, merece ser valorizado.
E acredito que parar para perceber o que sentimos é também uma forma de cuidar de nós.
Este mês, o meu convite é simples: experimenta parar um pouco mais.
Olha à tua volta. Repara nas pessoas que estão contigo, nos pequenos momentos, nas coisas que já conquistaste e até na mulher que foste capaz de te tornar.
Talvez descubras que existem mais razões para agradecer do que imaginavas.
Porque, muitas vezes, não precisamos de ter uma vida diferente para a sentirmos diferente. Precisamos apenas de aprender a olhar para aquilo que já temos com outros olhos. 🩷
E tu, pelo que estás grata hoje?
🌸
Com carinho e gratidão,

