A importância de abrandar: quando o silêncio também é um caminho
- Andreia Marcelino

- 14 de out. de 2025
- 1 min de leitura
Há momentos em que a vida parece correr depressa demais. Tudo acontece num ritmo que não acompanha o bater do meu coração. E é aí que percebo, preciso abrandar.

Durante muito tempo, associei o “abrandar” a desistir, a ficar para trás, a fazer menos. Hoje sei que é exatamente o contrário: abrandar é voltar a escutar-me, é cuidar do que vive dentro de mim.
A verdade é que o silêncio também é um caminho. Um caminho que nos ensina a estar connosco, a observar o que sentimos, a deixar cair o que já não faz sentido. Quando paro, mesmo que por uns instantes, o mundo parece alinhar-se de novo.
Ouço o som da minha respiração, o peso dos meus pensamentos, o eco das emoções que tantas vezes escondo por entre tarefas e pressas.
Abrandar é um ato de coragem num mundo que nos empurra para o movimento constante. É escolher estar presente, em vez de apenas passar por entre os dias.É fazer pausas conscientes, tomar café sem o telemóvel, olhar o céu, escrever o que sinto sem filtrar as palavras.
Quando me permito abrandar, descubro uma paz que não depende do que acontece lá fora.
Descubro que o silêncio não é vazio, é espaço.
E é nesse espaço que encontro as respostas que procurava no barulho.
Outubro convida-me a isso: a regressar a mim, a cuidar do meu ritmo, a ouvir o som tranquilo da minha própria vida.
Talvez o segredo não seja fazer mais.
Talvez o segredo seja apenas ser.
Com carinho e gratidão,
